Uso Cosmético do Óleo de PALMISTE

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O palmiste é um óleo obtido da mesma palmeira que se extrai o azeite de dendê. A diferença é que, enquanto o dendê vem da polpa da fruta, o palmiste vem do caroço, sendo transparente, com pouco cheiro e sem cor, se assemelhando muito ao óleo de coco da praia e do babaçu, para os quais ele os substitui em todas as funções. Diferente de muitos óleos do mercado refinados com soda cáustica e ácido sulfúrico, o palmiste passa por um refino feito através de destilação (similar à de óleos essenciais) com condensação em atmosfera sem oxigênio e, portanto, é um produto não danoso à saúde. A casca do caroço do palmiste é muito dura para ser quebrada na simples prensagem. Desta forma precisa ser levemente torrada para facilitar a quebra para prensagem e extração do óleo, que possuirá por isso o aroma das cascas queimadas e precisa ser destilado para remover este cheiro. O palmiste se destaca por sua forte estabilidade frente à oxidação. E, devido não rançar facilmente, é um produto formidável para uso em massagens, por que não deixa mau cheiro em lençóis, roupas de cama ou no próprio cliente. Os melhores Spas do mundo optam por utilizar este óleo em substituição aos óleos de girassol e semente de uva, de fácil oxidação, e que por isso acabam inutilizando toalhas e lençóis que ficam com cheiro de ranço. Com o palmiste isso não acontece e os tecidos empregados em salas de massagem têm sua durabilidade aumentada. O palmiste possui excelente estabilidade quando adicionado a cremes que contém água, como condicionadores, leave-in, cremes corporais e faciais, hidratando peles e cabelos de forma suave e agradável. É um óleo muito fino que penetra com extrema rapidez pelos poros da pele, facilitando a entrada de óleos essenciais e outros bioativos. Sua fineza e suavidade, o tornam perfeito para uso também como óleo pós-banho. Emprego nos cabelos A fadiga hídrica (hygral fatigue) é um fenômeno que ocorre em cabelos com alta porosidade, onde os fios vão se enfraquecendo por conta de um inchamento durante seu contato com água e uma contração quando esta água é perdida. Ao isso ocorrer, os fios perdem proteínas e vão se tornando fracos e sem brilho, quebrando facilmente e formando pontas duplas. Além disso, este processo aumenta o frizz nos cabelos. Se o seu cabelo possui fadiga hídrica, quanto mais lavagens fizer, mais você irá agravar o estado dos fios. Toda vez que lavamos, a lavagem leva embora o sebo dos fios, deixando-os com carga elétrica negativa, o que faz com que os fios tentem se repelir. E, sem a cobertura sebosa, as escamas da cutícula ficam desordenadas, ajudando a embaraçar os fios, que, por causa da polaridade, já não querem ficar juntos. Isso gera o frizz e como dito, leva à fadiga hídrica. Por conta da geometria das moléculas da água ocasionar um compartilhamento desigual de elétrons entre os átomos de hidrogênio e oxigênio (onde os elétrons se concentram mais sobre este), a água é uma substância polar. Nas substâncias apolares, a atração estre as moléculas é mais fraca devido a um compartilhamento de elétrons por igual entre os átomos, e isso facilita o movimento dessas moléculas que, por exemplo, podem evaporar em temperatura ambiente, como no caso dos óleos essenciais. Os óleos não se misturam na água (polar) por serem apolares, contudo, alguns óleos possuem regiões polares em sua estrutura e esta polaridade permite a estes óleos trazer benefícios aos cabelos que óleos integralmente apolares, como o óleo mineral, não dão. Uma pesquisa avaliou o efeito que diferentes óleos tinham sobre os fios de cabelo. Foram observados os óleos de girassol, coco e óleo mineral. Entre todos estes óleos, o coco foi o único capaz de reduzir a perda de proteína tanto em cabelos danificados, quanto não danificados, quando empregado antes da lavagem e depois em leave-in. Esta diferença é resultado da composição destes óleos. Todos os óleos de cocos, e isso inclui o palmiste, são ricos em triglicérides de cadeia média (TCMs), principalmente ácido láurico, que possui uma alta afinidade pelas proteínas do cabelo. Isso ocorre devido ao seu peso molecular e cadeia linear reta, o que lhe confere certas regiões polares na molécula. Estas moléculas são suficientemente pequenas para penetrar dentro do cabelo, impedindo a perda de proteínas durante as lavagens. O óleo mineral não possui qualquer afinidade com as proteínas do cabelo, sendo totalmente apolar e incapaz de penetrar dentro dos fios para trazer benefícios. No caso do girassol, o estudo também mostrou que ele não penetrou a fibra capilar e consequentemente não teve nenhum efeito positivo na perda de proteína. Outra pesquisa2 mostrou que os óleos ricos em TCMs, como o palmiste, penetram no material endocuticular dos fios, reduzindo sua propensão de inchar. Desta forma, tratam da fadiga hídrica evitando a absorção excessiva de água, impedem a perda de proteínas e, se o seu cabelo é pintado, impedirá igualmente a perda dos pigmentos que entraram dentro dos fios, evitando a descoloração com as lavagens. Formas de uso: – Adicione 5-6 mL de óleo de palmiste em cada 100 mL de creme capilar sem enxague (leave-in). Utilize sempre após tomar banho e ter lavado os cabelos com shampoo. – Utilize a técnica da pré-espumação (pre-pooing, em inglês) para tratar dos fios danificados. Ela é feita colocando um pouco do óleo de palmiste sobre as mãos e depois massageando todos os fios de cabelo para que ele penetre neles. O ideal é deixar este tratamento agir nos cabelos por no mínimo 30 minutos, sendo que os melhores resultados são alcançados quando se deixa o óleo nos fios por mais de 2 horas. Depois você pode lavar seus cabelos normalmente. O palmiste vai te dar a vantagem de ter os mesmos benefícios do óleo de coco da praia, mas sem o inconveniente de sair de casa com os cabelos com forte cheiro de coco que nem todo mundo gosta. Benefícios na saúde O ácido láurico presente no palmiste, é um componente importante do leite materno humano para o fortalecimento imunológico do bebê. Pesquisas científicas demonstraram que esta substância possui a capacidade de aumentar o sistema imunológico pela ativação da liberação de uma substância chamada interleucina 2, que faz a medula óssea fabricar mais células de defesa. Além disso, ele age como anti-inflamatório pela inibição da síntese local de prostaglandinas (PGE2) e interleucina 6 que são substâncias pró-inflamatórias presentes em quadros reumáticos, artrites e inflamações musculares e nódulos de tensão. Outros estudos validaram também uma potencial atividade antiviral e antibacteriana desta substância. Desta forma, o emprego do palmiste na pele e cabelos pode ter um efeito positivo de combate a fungos (por exemplo caspa), outros microorganismos e até piolhos. E, na massagem sua ação anti-inflamatória é muito útil no alívio de tensões musculares e amenização de doenças inflamatórias articulares. Ele é o veículo perfeito para quem trabalha com massoterapia, pois é um dos raros óleos carreadores com ação anti-inflamatória (girassol ou semente de uva, por exemplo, não possuem). Algumas observações: – A presença de ácido láurico no palmiste faz com que este óleo naturalmente endureça em temperaturas inferiores a 20o C. Esta é uma característica natural deste óleo e se algum palmiste não endurecer em temperaturas frias, está adulterado. Se o seu palmiste ficou duro, você pode retirar um pouco com uma colher e colocar sobre suas mãos. O simples calor de suas mãos já irá fazer com que ele derreta para uso. Se você precisar de uma quantidade maior, basta aquecê- lo em banho maria ou deixa-lo um pouco no sol que em poucos instantes ele volta a ficar líquido. – Alguns sites no exterior têm condenado o uso do óleo de palma e consequentemente o palmiste vindos da Malásia e Indonésia. Ocorre que, em certas ilhas nestas regiões, as florestas estão sendo derrubadas para plantar palma e consequentemente, os animais estão desaparecendo. O palmiste é produzido no Brasil e não é importado destes países. É fato que para plantar qualquer coisa, desde soja, girassol, algodão, milho, trigo, ou criar gado, é necessário terra para isso. Em todas estas produções, áreas onde antes existiam florestas, podem dar origem a plantações. Seria grande hipocrisia condenarmos o palmiste brasileiro, enquadrando-o como um vilão das florestas, quando comparamos ele à criação de gado que necessita dezenas de vezes mais espaço para criação. Além disso, o mesmo espaço ocupado por árvores de palmiste, geram toneladas de mt3 de oxigênio anualmente para o planeta, frente às plantações de soja que não produzem nem um milésimo disso e cobrem áreas muito maiores na Amazônia.

Fonte: Instituto Brasileiro de Aromatologia